KUAN YIN

Kuan Yin ou Guan Yin (觀音) é o Bodhisattva (no budismo, ser humano que, tendo atingido o estado de perfeição, será dispensado da reencarnação) celeste da Compaixão, a deusa chinesa do amor e da compaixão.

Adorada como uma encantadora e benigna deusa popular, ela é celebrada por camponeses e pescadores de todo o Extremo Oriente. Pode-se descrevê-la como uma personificação simbólica da divina compaixão ou como um veículo iogue através do qual é possível alcançar a iluminação e perceber a natureza última da realidade.

Na Coréia e no Japão, mas sobretudo na China, antes que os adeptos de Mão Tse-Tung destruíssem os templos ali existentes, Kuan Yin foi reverenciada pelo povo, como uma deusa, durante mil anos, ou mais.
O fato de Kuan Yin ter sido longamente venerada, em todo o Extremo Oriente, por todos os tipos de pessoas, desde pescadores até sábios taoístas em seus escarpados monastérios, como também por budistas leigos em geral, deve-se ao apelo irresistível de uma deidade tão compassiva com uma raça afeita durante séculos à pobreza e à opressão.

Até há pouco, existiam santuários dedicados a Kuan Yin em todos os tipos de lugares, tanto na China como nos países vizinhos; sempre que possível, eram construídos nas proximidades de rios ou a cavaleiro de um lago ou mar.

Freqüentemente, os pintores a mostram sentada numa rocha, olhando por sobre as águas, ou de pé sobre uma pétala flutuante de lótus.

Kuan Yin significa: Aquela que dá ouvidos aos prantos do mundo.

Essa deusa assue diferentes nomes em diversas culturas. No budismo representa a suprema compaixão de todos os Budas, corresponde ao bodisatva Avalokiteshvara. No budismo tibetano recebe o nome Cherenzig. No Japão, esta personificação da caridade é representada como uma divindade masculina, Kannon Bosatsu.

Quando o Dilúvio Vermelho inundou a China, o budismo não era ali a fé universal, como o é na Tailândia e em alguns outros países. Talvez apenas um chinês em dez fosse budista e, mesmo assim, não no sentido exclusivista de rejeitar outras religiões.

Na China, no Japão e países circunvizinhos, as representações femininas de Kuan Yin predominam, geralmente em forma humana idealizada com uma cabeça e dois braços. Seu longo vestido e a touca característica semelhante a capuz podem ser brancos ou colorido.
Os esplêndidos ornamentos que às vezes adornam a cabeça, o pescoço, os pulsos e os tornozelos são um símbolo convencional de sua condição de Bodhisattva.

As vezes ela é vista sozinha, às vezes acompanhada por Shan Ts'ai, um belo rapaz ou menino, e por Lung Nu, a Donzela-Dragão, segurando uma pérola gigante.

Os símbolos característicos associados a Kuan Yin são um galho de salgueiro, com o qual ela esparge o néctar divino da vida; um vaso precioso, simbolizando o néctar da compaixão e da sabedoria, traços do bodhisattva; uma pomba representando a fecundidade; um livro ou um pergaminho de orações que ela segura em sua mão, simbolizando o dharma (ensinamentos) do Buda ou o sutra (texto budista) o qual Miao Shan, dizia-se, recitava constantemente; e um rosário adornando seu pescoço, através do qual ela clamava aos Budas por socorro.
A longa história de devoção a Kwan Yin mostra-nos o caráter e o exemplo desta Portadora de Luz que não somente dedicou sua vida a seus amigos, mas sempre assumiu o papel de intercessora e redentora. Durante séculos, Kwan Yin simbolizou o grande ideal do Budismo Mahayana em seu papel de bodhisattva (chinês p'u-sa), literalmente, "um ser de bodhi, ou iluminação", destinado a se tornar um Buda, mas que renunciou ao êxtase do nirvana, como um voto para salvar todas as crianças de Deus.