TAOÍSMO - A FILOSOFIA CHINESA QUE ORDENA O UNIVERSO

Atualmente, milhares de pessoas sabem que o yin e o yang são as energias sexuais chinesas atribuídas ao homem e à mulher.
Na China a vida foi sempre muito perigosa, fato que ficou recalcado por episódios de violência incontrolável e azarada. As invasões e as rebeliões devastaram, freqüentemente, províncias inteiras e as matanças eram muito comuns.

A fome e as inundações assolavam constantemente os campos. O serviço militar obrigatório reduziu o povo, vezes sem conta, as condições de pobreza extrema. Nas cidades os poderosos oprimiam os fracos e as inimizades hereditárias aniquilaram famílias inteiras, enquanto esposas e filhos eram capturados e submetidos à escravatura. Os castigos legais eram horrorosos. Intrigas e injustiças terríveis rodeavam o trono imperial, para o qual as lutas implacáveis eram a norma. Inclusive a vida imperial era perigosa para os funcionários. Por exemplo, um dos maiores historiadores chineses, o funcionário Su-ma Ch’ien ( 145-90 a.C. )- foi castrado por redigir um relatório exato mas inoportuno.
Não é surpreendente que muitos se tornassem eremitas e que o taoísta, HOMEM da MONTANHA, rodeado de paz interior e exterior, em comunhão com a natureza de um paraíso pessoal, se transformasse na figura ideal na qual oitenta gerações projetaram suas fantasias.


"VASTO É, CERTAMENTE, O TAO ÚLTIMO, EXISTE ESPONTANEAMENTE, AO PARECER NÃO ATUAR, FIM E PRINCÍPIO DE TODAS AS ERAS, EXISTE ANTES DA TERRA E DO CÉU, ABRANGE EM SILÊNCIO A TOTALIDADE DO TEMPO, PERDURA INCESSANTE AO LONGO DA ETERNIDADE, NO ORIENTE FOI ENSINADO PELO PAI CONFÚCIO, NO OCIDENTE CONVERTEU-SE AO HOMEM DOURADO (Buda), TOMADO COMO MODELO POR CEM MONARCAS, TRANSMITIDO POR GERAÇÕES DE SÁBIOS, É O ANTEPASSADO DE TODAS DOUTRINAS, O MISTÉRIO QUE TRANSCENDE TODOS OS MISTÉRIOS. "


Esta citação corresponde a uma inscrição na rocha da dinastia Ming, datada da primavera de 1556. Demonstra que tanto confuncianos, budistas e seguidores de Mencio, assim como taoístas que utilizavam a palavra TAO à sua maneira para se referirem a seu princípio orientador basicamente referem-se à mesma coisa, apesar de suas divergências. Neste século Mão-Zedong desenvolveu, à sua maneira, uma versão política do TAO intrinsecamente chinês.

Existiram muitas escolas e cultos que, oficialmente, se denominavam taoístas. Prosperaram em diferentes épocas em distintas regiões da China e deram origem a muitas doutrinas diferentes, muitas vezes perseguidas por dissidentes. Produziram uma vasta literatura que nenhum ocidental e provavelmente nenhum oriental terá lido na sua totalidade. O TAO-TSANG é uma recompilação destes textos publicada pela dinastia Ming ( 1445 ) e contém 1464 obras. Por vezes, os estudiosos ocidentais se dedicaram a classificar os criadores segundo categorias externas: Budistas, Confucianos e Taoístas.
Talvez o mais importante consista em que, apesar de carecer de uma IGREJA organizada, o taoísmo se tornou o culto das massas populares.
À margem do que fizeram ou pensaram as classes dirigentes, a população chinesa era indefectivelmente taoísta. Sua cultura girava à volta da adivinhação, da magia e das cerimônias da vida cotidiana.
Criou deuses estelares, misteriosos imortais, palácios celestiais semelhantes aos terrestres, paraísos gloriosos e diversos tipos de recompensas e de castigos sobrenaturais. No CHUANG-TSÊ, um dos textos taoístas mais respeitados, conta-se uma história pertinente. Um dia Confúcio e seus discípulos caminhavam pelas margens de um rio turbulento que saltava pelas rochas, cachoeiras e cascatas. Viram que um ancião nadava rio abaixo. Divertia-se no meio da água agitada quando se afundou. Confúcio enviou rapidamente seus discípulos rio abaixo para que tentassem salvá-lo. O ancião chegou são e salvo à margem do rio e ergueu-se ileso, com o cabelo todo molhado. Os discípulos levaram-no à presença de Confúcio, que lhe perguntou como tinha conseguido sobreviver nessa torrente, no meio de rochas. O ancião respondeu: SEI DEIXAR-ME LEVAR PELO TORVELINHO DESCENDENTE E SAIR COMO ASCENDENTE. Tratava-se, obviamente, de um homem do TAO.

O fundamento desta história consiste em que o TAO, a rede do tempo e da mudança, é uma trama de torvelinhos semelhante a uma móbil e perigosa torrente de água; o taoísta ideal é aquele que aprendeu a utilizar seus sentidos e suas faculdades para intuir as formas das correntes e torvelinhos, assim como para experimentar um sentido profundo de sua presença e dos modos como evoluem as meadas enredadas.