GRAVURAS FOLCLÓRICAS

As gravuras folclóricas fazem parte do legado vivo da cultura da China. Produzidas a partir de blocos de madeira gravados, tais gravuras descrevem as lendas, imagens religiosas e a vida cotidiana do povo chinês. As próprias gravuras folclóricas se originaram dentro da cultura popular chinesa, e suas formas e conteúdos abrem uma porta no panorama simples do homem comum na China, iluminado suas aspirações por uma vida melhor e seu desejo de reconhecimento e gratificação estética.
As gravuras folclóricas podem ser divididas em quatro categorias baseadas no conteúdo e na função: ilustrações impressas, que podem ser encontradas em narrativas locais, no clássico cânone chinês, em várias obras sobre moralidade, referências médicas, tratados agrícolas, dramas e álbuns; gravuras especiais feitas para celebrar o Novo Ano Chinês e desejar um futuro melhor; gravuras religiosas; e uma categoria mais misturada que inclui selos de lojas, manuais de bordados e similares.

As gravuras de Ano Novo têm tradicionalmente sido as mais admiradas de todas as criações de gravuras folclóricas. As gravuras de Ano Novo freqüentemente retratam os deuses de portas, o Deus da Cozinha, ou o Deus da Riqueza, os quais acredita-se afastar o mal e trazer a boa sorte. Outras gravuras do Ano Novo consistem em uma longa tira de papel colada horizontalmente sobre o dintel da porta da frente com tiras complementares que percorrem um dos lados do portal. Caracteres chineses que formam versos em combinação são geralmente impressos nesses conjuntos de portas. Gravuras mais simples de Ano Novo contêm ou algum símbolo especial de boa sorte ou um caractere chinês imbuído de um significado especialmente auspicioso. Geralmente, há uma lenda a ser contada por cada gravura ou caractere.
Os deuses de portas mais comumente retratados são figuras mitológicas como o Chug K'uei, ou deuses companheiros tais como o Shen-t'u e Ch'in-ch'iung e Chin-te. As expressões furiosas dos deuses de portas, com seus olhos faiscantes e fisionomias atemorizantes, são coladas na porta mais externa. Acredita-se que os deuses de portas podem afastar os maus espíritos, assim permitindo aos moradores viver em paz e felicidade. Tal costume continua atualmente vivo e a cada ano essas gravuras (agora reproduções litográficas impressas em grande quantidade) podem ser encontradas no mercado.

Os caracteres auspiciosos mais comumente apresentados nas gravuras de Ano Novo incluem os caracteres chineses de boa sorte, longevidade e prosperidade financeira.
Por exemplo, o caractere chinês para longevidade pode ser ilustrado com gravuras dos Oito Imortais, ou os Três Sábios- Fu, Lu e Shou - que também representam vida longa. Tal gravura personificaria o desejo filial que os mais velhos daquela família pudessem viver tanto quanto as lendárias montanhas do sul, com saúde e boa sorte.
Uma estória comumente retratada nas gravuras de Ano Novo é "A Lenda da Cobra Branca". Ela conta a estória de uma cobra que é magicamente transformada em uma jovem, seu casamento com o jovem Hsu Hsien, e no final, a sua trágica separação. Um outro exemplo é T'ang Pó-hu encontra Ch'iu Hsiang , uma estória muito popular da dinastia Ming sobre um jovem intelectual e uma empregada que se apaixonaram à primeira vista e que finalmente conseguem casar-se após superar muitos obstáculos.

Uma outra ilustração de gravura popular tirada da ficção popular é O Buraco Sem Fundo que mostra uma cena adaptada do romance popular A Jornada ao Ocidente. Nessa cena particular, o lendário Rei Macaco Sun Wu-K'ung usa a sua vara mágica dourada para lutar contra o maléfico Espírito do Rato Branco. As gravuras religiosas captam a rica cor das religiões populares na China.
Tais gravuras geralmente retratam ou o Kuan Yü a Deusa do Cosmos da Misericórdia. O Kuan Yü é na realidade uma figura histórica também conhecida como Duque Kuan. Reverenciado pelo seu senso de justiça e correção ele mais tarde foi deificado e chamado de Senhor da Benevolência. Como tal, acredita-se que ele recompense seus devotos com a prosperidade. A Deusa do Cosmos da Misericórdia é na realidade um amálgama de várias divindades estabelecidas e populares, incluindo a Deusa da Misericórdia , a deusa local Ma Tsu, o Deus da cozinha, e o Deus Terra. As gravuras em santuários taoístas freqüentemente exaltam o Grande imperador Pão Shen, um renomado médico que se destacou nas artes de curar. Diz-se que suas receitas eram extremamente eficazes, sendo esta a razão de ele ter tantos seguidores.
Através dos anos, os templos e santuários de Taiwan têm produzido e usado muitas espécies diferentes de imagens impressas: talismãs taoístas, mensagens de profecias, amuletos medicinais e Shen-shan. Shen-shan são imagens divinas impressas nos templos para que os fiéis levem para casa e coloquem nas plataformas de adoração pedindo paz e segurança: Há várias centenas dessas sempre populares gravuras Shen-shan, incluindo aquelas tais como O Filho do Imperador, Madame Ch'i-miang e O Rei Macaco. Muitos templos também imprimem dinheiro-fantasma de todas as formas e tamanhos. O dinheiro-fantasma não é dinheiro falsificado, mas um dinheiro sacrificial usado para adorar deuses e antepassados e para ser usado pelos falecidos na outra vida.